quarta-feira, 3 de julho de 2013

1º Campeonato de River Stand Up Paddle será no rio Iguaçu em Foz: Águas Bravas!




O meu colega, o fotógrafo Marcos Labanca postou / compartilhou em seu Facebook o anúncio da Iguaçu River Sup que nos dias 7 e 8 Foz do Iguaçu vai realizar o 1º Campeonato Brasileiro de River SUP. River Sup não quer dizer Sopa de Rio como me pareceu. É o 1º Campeonato  Brasileiro de Stand Up Paddle Fluvial. Vai ser no cânion do Rio Iguaçu, falando em cânion, você sabe onde fica: nas Cataratas do Iguaçu. Tem gente fazendo "Sup" ou melhor tem gente supando nos sete mares. Mas um campeonato de SUP em rio brasileiro parece ser a novidade. No site (facebook)  oficial do River Sup Brasil descobri que  em inglês remar em pé em pranchas de remar já ganhou até um verbo: to sup (supar). O novo verbo inglês já está em uso com gente dizendo "Where do you sup?" Outro exemplo "Is Foz do Iguaçu a good  place  to sup? E você tem prancha? Vai supar? Os prêmios passarão de R$ 15 mil. Ocuppy nossos rios! 
   

terça-feira, 2 de julho de 2013

Grande cheia do rio Iguaçu 2013

O mirante da Garganta do Diabo no lado argentino ficou debaixo d'água, de muita água!
Parte da passarela foi levada pelas águas. Vai levar o mês de julho inteiro até voltar a ser aberta

As fotos aqui são de várias fontes e mostram a cheia do rio Iguaçu nas Cataratas do Iguaçu neste mês de jumnho e começo de julho de 2013. Com uma vazão normal entre 1,5 mil e 2 mil metros cúbicos por segundo, as Cataratas passaram de 17 mil metros cúbicos por segundo. A surpresa fica por conta do padrão anormal de clima nesta época de mudanças climáticas
 
A beleza do que se vê no chamado Passeio ou Circuito Superior

Guardas-parque argentinos parecem chegar ao fim da picada

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Técnicos Argentinos descobrem Surubim do Rio Iguaçu nas Cataratas



Steindachneridion melanodermatum ou surubim do rio Iguaçu

Biólogos e técnicos da empresa Iguazú Jungle, responsável pelos passeios do estilo Macuco e Navegação abaixo e acima das Cataratas do Iguaçu, pelo lado argentino, fizeram duas descobertas. Uma boa e outra não tão boa A primeira foi a avistagem do peixe Steindachneridion melanodermatum  ou surubim do rio Iguaçu na região das passarelas próximas à Garganta do Diabo. Segundo nota publicada pelo site La Voz de Cataratas, as noticias desse peixe grande perto das passarelas começaram a chegar desde 2011. Os técnicos pensaram que fosse bagre africano – o que seria uma calamidade. Mandaram amostras para laboratórios de ictiologia e a resposta veio negativa para bagre africano mas confirmou a existência do Surubim do Iguaçu. Os técnicos argentinos informaram que esse surubim é ua espécie do médio Iguaçu. Por isso a alegre estranheza. Porém, se o surubim está nas Cataratas isso é bom ou ruim? Eles vieram até à Garganta? Ou há algum problema no médio Iguaçu? A reposta fica aberta para os biólogos. O caminho está aberto!    

Noticia dois e aparentemente ruim. Os mesmos técnicos e outros profissionais descobriram uma proliferação de algas no Iguaçu superior. “Algas” é uma palavra que espalha terror. Minha mente primitiva diz que algas pode estar ligada à complexa rede de vida que denuncia desequilíbrio. A nota do La Voz de Cataratas diz que os técnicos ficaram pensando se isso ao tem a ver com as espetaculares mudanças de vazão do rio Iguaçu e das Cataratas devido ao manejo hídrico dos rio-reservatório de nossas hidrelétricas.  É a primeira notícia de algas que tenho. Isso é perigoso e pode ser um perigo para as Cataratas – “algas” podem indicar que o rio está morrendo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

PF classifica Sanepar como “empresa de fachada"

Segundo delegado, a companhia cobra do usuário pelo tratamento de esgoto, mas não executa o serviço. PF afirma que todas as estações da Sanepar atuam ilegalmente. Empresa foi considerada a maior poluidora do Rio Iguaçu

“Operação Iguaçu – Água Grande” , que apura casos de poluição no Rio Iguaçu, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) foi classificada pela Polícia Federal (PF) como uma “empresa de fachada”. Segundo o delegado Rubens Lopes da Silva, a companhia cobra dos usuários pelo tratamento de esgoto, mas não executa os serviços. As investigações apontam que todas as estações da Sanepar atuam de forma ilegal no estado. Por conta disso, a PF vai indiciar 30 gestores da empresa por estelionato. A empresa promete se pronunciar até o fim do dia. 

A PF também apontou a Sanepar como “a maior poluidora do Rio Iguaçu”. As investigações revelam que 20% das estações de tratamento de esgoto da companhia atuam clandestinamente: elas sequer existem juridicamente e funcionam sem licenças de operação. Segundo a PF, a companhia lança os efluentes em cursos d’água sem qualquer tratamento, em "clara agressão ambiental à coletividade, à fauna e à flora".

Leia mais na Gazeta do Povo

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Foto-vazão das Cataratas: havia mais água antes?

Esta foto foi publicada no site do clube de fotografias de Puerto Iguazú no Facebook. Não necessita ser muito velho. Não falo de 300 anos atrás.  Mas essa foto mostra as Cataratas como eu a vi muitas vezes. Parece que havia mais água e em muitas ocasiões havia uma pauleira imensa que o rio trazia águas abaixo.  É só para provocar uma discussão. Já abordamos várias vezes a questão da diminuição da vazão do rio Iguaçu e especialmente nas gloriosas Cataratas do Iguaçu.  

quinta-feira, 1 de março de 2012

Do Fundo do Baú: Construção da Passarela das Cataratas

Em uma das grandes cheias do rio Iguaçu no final dos anos 80, as passarelas que dá acesso ao cânion do Iguaçu construidas sobre uma das plataformas naturais das Cataratas do Iguaçu, foram elvadas pela água. Durante cerca de quatro anos, oso visitantes não puderam ver as Cataratas do Iguaçu deste privilegiado ângulo. Depois de uma prolongada novela, as obras de reconstrução finalmente começaram. A foto tirada do baú, mostra o prefeito de Foz do Iguaçu, na época, Álvaro Neumann (alto, camisa branca, primeiro plano), o diretor-presidente da Foztur, Antonio Hernandez Gonzalez Júnior (camisa barnca, de barba, à esquerda) e o diretor-presidente da Codefi, Pedro Trevisan (de camisa azul). Na extrema esquerda (da foto) aparece o jornalista José Beto Maciel (hoje residente em Curitiba). As obras foram inauguradas em 1993. A foto pode ser de autoria de Juca Pozzo ou Nei de Souza.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Cataratas do Iguaçu Uma das Sete Maravilhas - mas não mais tão naturais

É oficial. Na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, no dia 22, Bernard Weber, da Fundação Novas & Maravilhas, confirmou oficialmente que as Cataratas do Iguaçu / Iguazú são finalmente uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo. Parabéns a todos pela honraria. Mas aproveito para divulgar uma realidade: apesar da beleza imponente, as Cataratas do Iguaçu estão em risco como qualquer outro local natural do mundo. As Cataratas do Iguaçu não são mais tão naturais como parecem. Tudo no rio Iguaçu é controlado pela mão do homem. Na Região Metropolitana de Curitiba toda a água captada a partir do sopé da Serra do Mar em direção à Curitiba é canalizada e dirigida às represas que vão ajudar a abastecer a nossa capital bela e complexa capital. O controle é da Sanepar. Acompanhei alguns trechos desses, por exemplo, do pé da serra onde está o primeiro viaduto da linha férrea no sentido Curitiba-Paranaguá, na localidade de Roça Nova (Piraquara), acompanhando o rio do Rato, vendo-o entrar no Iraizinho, daí no Iraí e por fim na represa do Iraí.


Em Porto Amazonas, o rio Iguaçu tem uma vazão média de 60 metros cúbicos. Se você lembrar que as Cataratas tem uma vazão de 1.500 metros cúbicos por segundo, você verá que a RMC briga por pouca água. Daí vem o trecho das hidrelétricas onde o controle é da Copel, da Eletrosul e em breve pela Neoenergia. Sem querer entrar no âmago do assunto, basta dizer que, lá embaixo, nas Cataratas, a variação da vazão controlada pelo homem é brutal. Todos os dias, a água sobe e desce fazendo um percurso que a Natureza levaria meses. As Cataratas, originalmente, estariam cheias na estação das chuvas. Estariam secas na estação de estiagem. Hoje não. As Cataratas enchem na seca e secam na cheia tudo por conta do controle antropogênico ou seja do homem. Os peixes pagam o pato. Os peixes que vem à água razoavelmente profunda e se põe a dormir no oco de uma pedra, pode ficar sem água num piscar de olho. A água seca e isso deve afetar também a todo o ecossistema. Um exercício interessante é acompanhar o monitoramento da vazão do rio Iguaçu no site da COPEL. Escolha um dia. Todos são iguais. Nas fotos acima, você verá, se clicar nelas fotos, o monitoramento hidrológico do rio Iguaçu de dois dias. São dois dias bons há dias em que as diferenças são maiores.


Na primeira, à 1h da manhã do dia 2 de fevereiro de 2012, a vazão no Salto Cataratas era de 1.500metros cúbicos por segundo. Às 10h39 a vazão era de 1.330 e às 19h a vazão foi de 1.760 metros cúbicos por segundo. No dia 24/02 à 1h da manhã a vazão foi de 1.390. Às 7h foi de 1.180 e às 14h chegou a 1. 640 metros cúbicos por segundo. Estas foram, repito, variações pequenas. Tenho visto variações maiores segundo as quais as Cataratas passam de níveis abaixo da média de 1,5 mil m³/segundo para números muito acima da média daqueles que podem ser chamados por nós repórteres de "espetáculo da natureza" quando na realidade é excesso d'água liberado pelas nossas hidrelétricas especialmente Salto Segredo e Caxias tudo planejado e realizado pelo cérebro e mãos do homem, respectivamente (Extra: atualizado movimento das águas no dia 26. Clique figura pequena ao lado)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma Transposição do Rio Iguaçu? Já falam disso há tempo!

A vazão média do rio Iguaçu é de 1.500 metros cúbicos por segundo um pouco mais, um pouco menos. Tirar dele 107 metros cúbicos de água por segundo, em média, para levá-la a outra bacia hidrográfica, lhe parece muito ou pouco?

Existe um projeto argentino de fazer exatamente isso. O projeto pede que se construa um canal de 700 metros ( nos 700 primeiros metros dessa “transposição”) que levaria esta água para um túnel, de 40 quilômetros que levaria a água do Iguaçu para a Bacia do Arroio (rio) Urugua’í.

O motivo da transposição seria levar água para o reservatório da Usina Hidrelétrica do Urugua’í. A vazão média do rio Urugua’í é de 53,6 metros cúbicos por segundo o que não é suficiente para que a Usina Hidrelétrica de Urugua’í gere a eletricidade que a Província de Misiones precisa. O rio Iguaçu emprestaria ao Urugua’í 107 metros cúbicos de água por segundo aumentando assim o potencial da bacia de 53,6 para mais de 160 metros cúbicos o que possbilitaria a Usina gerar mais eletricidade e outras variáveis segundo texto de Carlos Andres Ortiz, pesquisador da área económica e geopolítica.

A obra de engenharia quer dizer, a escavação do canal na rocha ao longo dos 700 metros iniciais e furar o túnel levaria 3 ou 4 anos para ser concluída e custaria US$ 120 milhões. O rio Iguaçu aguentará esse projeto? Participe desta conversa. Na Argentina muita gente já se levantou contra lembrado que o rio Iguaçu (e as Cataratas do Iguaçu) perderia 10% de seu caudal (vazão). Veja esta nota argentina sobre o problema.


Confira notas caso os links acima estarem mortos!

http://www.misionesonline.net/opinion/leer/1748

http://www.sitiosargentina.com.ar/notas/notas_viejas/76.htm

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Iguaçu: o desconhecido e sofrido rio paranaense

Rio perde caudal e está cada vez mais poluído. A população não se dá conta. O que fazer para reverter a situação?

(Jackson Lima - Artigo publicado originalmente na Revista 100 Fronteiras de Foz do Iguaçu - Junho de 2009. Foto Usina Salto Caxias atualmente chamada Usina Governador José Richa)

Uma Audiência Pública foi convocada, às pressas, para o dia 19 do mês passado em Foz do Iguaçu. Pela primeira vez, Foz do Iguaçu quis saber o que acontecerá com a vazão de água das Cataratas, caso a Usina Hidrelétrica do Baixo Iguaçu sair do papel. A Usina ficará a 90 quilômetros das Cataratas do Iguaçu e a menos de um quilômetro do Parque Nacional do Iguaçu. “Queremos garantias de que a vazão do rio Iguaçu nas Cataratas não diminuirá”, disseram vários oradores especialmente representantes do turismo de Foz. A preocupação era com a possibilidade das Cataratas continuarem com essa mania de andar secando. Já há turistas cancelando pacotes e a ameaça de crise já ronda o setor.

Muitos discursos foram feitos. Falaram as autoridades, especialistas, ambientalistas e vereadores da casa. No final, da sessão foi anunciado que a audiência não havia terminado. Continuará em nova data à espera de representantes da empresa que construirá a Usina. Um pouco antes do final, a palavra foi passada aos prefeitos de Capitão Leônidas Marques, Claudiomiro Quadri e o de Capanema, Milton Kafer. Os dois representaram o “outro lado”. Eles defendem a hidrelétrica e dão como justificativa a situação precária de municípios que já são considerados “inviáveis” na região.

“Com a construção da Usina do Baixo Iguaçu a vazão da água nem vai melhorar, nem piorar. Vai ser a mesma” diz Kafer. A resposta parece mostrar que os problemas da seca do rio Iguaçu são muito mais complexos do que se pensa. Por coincidência, a Revista 100 Fronteiras estava produzindo este material sobre o rio Iguaçu. A tese é que o rio paranaense, na hora da verdade, é um grande desconhecido e seus problemas não são debatidos.

Em primeiro lugar, as crianças aprendem nas escolas do Estado e os turistas escutam de seus guias de turismo que o rio Iguaçu nasce em Curitiba. Ora, para os mais de cem mil habitantes de Piraquara, por exemplo, isso é um insulto. Segundo, fala-se de uma nascente do rio Iguaçu quando, na realidade, não existe “uma nascente” do rio Iguaçu. As diversas secretarias da Prefeitura de Piraquara, Agricultura, Meio Ambiente e Planejamento já levantaram mais de 1.300 fontes ou nascentes. A cidade se encontra na Área de Preservação de Mananciais e é responsável por 50% da água que abastece Curitiba e as cidades da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Os outros 50% vem de outros municípios e outras bacias.

Contudo, as milhares de nascentes não vão muito longe depois de “nascer”. As fontes que formam os córregos que vão para os rios Piraquara, por exemplo, são logo captadas e desviadas para a Represa Piraquara I. A represa Piraquara II já entrou em funcionamento. As nascentes das centenas ou milhares de pequenos córregos que se dirigem, para a Bacia do rio Iraizinho também são levadas para a represa do Irai entre Piraquara e Quatro Barras.

E assim é a vida das águas que formarão o Iguaçu na região conhecida como BARI – Bacia do Alto Rio Iguaçu. Depois de sair das represas, a água é captada e canalizada muitas outras vezes, mesmo antes de sair do município de Piraquara. As águas do rio Irai e do rio Piraquara vão se encontrar logo abaixo das represas. Prosseguem em direção a Pinhais, mas antes passam por uma estação da Sanepar.


Primeira aparição e trajeto

Às margens da BR 277, sobre uma ponte, o viajante vai encontrar a primeira placa federal avisando: Rio Iguaçu. Nesse ponto o rio Atuba, seriamente poluído já desembocou no rio Iraí que também está perdidamente poluído. Este encontro do Atuba com o Irai é chamado de “Marco Zero” do Rio Iguaçu. A partir daqui se contam os quilômetros até sua foz em Foz do Iguaçu. É por causa disso que as escolas ensinam que o rio Iguaçu nasce em Curitiba.

Saindo desse ponto na BR 277, ou Avenida das Torres, o rio prossegue para Araucária em seu trajeto para Porto Amazonas a 70 quilômetros de Curitiba. Aqui acontecem duas coisas importantes. Primeira, o rio é naturalmente revitalizado e rejuvenescido ao passar pelas Cachoeiras de Caiacanga. A segunda é que a partir de Porto Amazonas o rio passa a ser navegável. Uma placa no porto avisa: “Marco Zero da Navegação do Rio Iguaçu”. A navegação e o rio são tão importante que o prédio da Prefeitura tem forma de barco. O rio aqui ainda sofre a poluição que vem da capital.

Porém, o principal problema do rio Iguaçu em Porto Amazonas já é o que assusta e ameaça o turismo de Foz do Iguaçu. É a baixa da vazão do rio. Os barqueiros, os canoeiros, os pescadores reclamam e os poetas lamentam em versos. Mesmo em Porto Amazonas, o rio está secando e o assoreamento preocupa. “Mas ninguém vê – diz o poeta – está todo mundo ocupado”, lamenta em verso Daniel Caron.

De Porto Amazonas, o rio aponta para o lado de Santa Catarina. Começa a deixar a região onde nasceu. Na fronteira com Santa Catarina, o rio Iguaçu recebe uma injeção de água e de ânimo. Nele desemboca o rio Negro que nasce no Morro Redondo, na Serra da Araçatuba e percorre 240 quilômetros até encontrar o Iguaçu. O Rio Negro que passa pela cidade de Rio Negro (PR) marca a divisa entre Paraná e Santa Catarina.

Uma vez fortificado e com vazão redobrada, o Iguaçu continua margeando o Paraná e Santa Catarina. São 239 quilômetros entre Porto Amazonas e as cidades de União da Vitória (PR) e Porto União (SC). Aqui termina o trecho livre e desimpedido do rio Iguaçu. Começa a área em que o rio foi “aproveitado” para a construção das hidrelétricas.

As Usinas

Foz do Areia é o nome da primeira Usina Hidrelétrica do Rio Iguaçu, As outras são Salto Segredo, Salto Santiago, Salto Osório e Salto Caxias. Esta última com sede em Capitão Leônidas Marques, terra do prefeito Claudiomiro Quadri. Vinte quilômetros abaixo de Salto Caxias é onde se pretende construir a Usina Hidrelétrica (UHE) Baixo Iguaçu, a sexta e última do rio, debatida na Audiência Pública de Foz do Iguaçu.

Os especialistas dizem que comparado com a Usina Hidrelétrica da Foz do Areia, o lago da UHE Baixo Iguaçu que terá 13,56 quilômetros quadrados não é nada. O reservatório da Foz do Areia inundou 167 quilômetros quadrados. “A única usina que tem condição de segurar água e afetar o rio é a Foz do Areia” disse Edson Manasses da SUDHERSA - Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental. Segundo ele, a UHE Baixo Iguaçu não terá efeito nenhum sobre a vazão. Quer dizer, quem procura um bom motivo para se preocupar deve olhar para Foz do Areia que foi construída com dois motivos em mente: controlar cheias do Iguaçu e produzir energia elétrica.

A UHE Baixo Iguaçu vai inundar 336 propriedades que envolverá 359 famílias e custará cerca de R$ 1 bilhão. Apesar do Reservatório ter somente os 13,56 quilômetros quadrados, na matemática do projeto, os municípios perderão terras. Capitão Leônidas Marques perderá 550,8 hectares, Capanema perderá 452,4 hectares e Realeza 340,4 hectares. Outros municípios também sacrificarão terras. É o caso de Planalto que perderá 6,18 hectares e Nova Prata do Iguaçu perderá 3,87. “Até esse povo que vai perder terras concordam com o projeto”, disse Kafer de Capanema. Vale destacar que Capitão Leônidas Marques é parte do Oeste do Paraná. Os outros municípios do projeto estão no Sudoeste – o rio Iguaçu é uma fronteira entre as duas regiões do Paraná.

Tanto o chefe do Parque Nacional do Iguaçu e do Instituto Chico Mendes, Jorge Pegoraro, como os prefeitos da região destacaram que o projeto da UHE Baixo Iguaçu é antigo e que vem sendo modificado. O prefeito de Capitão Leônidas Marques, lembrou que o projeto inicial previa a inundação de 17 quilômetros de área do Parque Nacional do Iguaçu. “Nossas comunidades lutaram para que a proposta fosse modificada”, disse Quadri.

Divisão de interesses

Incluindo os 10 municípios da área de nascentes do rio Iguaçu entre eles a capital, o rio Iguaçu define destinos de 43 municípios paranaenses. Cada município se encontra em uma de três grandes áreas de interesse econômico: produção e negócios da água, produção de eletricidade e em trecho pequeno na RMC, refino de produtos derivados de petróleo.

Pode-se incluir, no trecho final do rio, os interesses do turismo, lazer e da preservação. Hoje, cada setor trabalha separado. O rio necessita de uma visão integral para não tornar-se o rio dos conflitos. No meio há interesses agrícolas, da agricultura familiar, do artesanato, pescadores e cooperativas de produtos da pesca – como entre Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu. Duas áreas de interesses são poderosas. Na Região Metropolitana de Curitiba, a questão da água é muito séria. Curitiba está na lista das cidades brasileiras com fragilidades no abastecimento de água. O futuro é preocupante. Em algumas áreas da RMC já há conflitos entre o uso da água para abastecimento e a água para eletricidade. Que a discussão da UHE Baixo Iguaçu ajude a deslanchar esta preocupação integral com o rio e a comunidade do Rio Iguaçu das suas fontes até a sua foz.